PASSEIO PEDR'ALTA

Localização   Castelo do Neiva

Fase               Concurso 

Ano                2011

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Memória Descritiva

Tendo por base o local estratégico para a execução da proposta Passeio Pedr’Alta, no litoral oeste mais propriamente na localidade de Pedra Alta e sabendo que esta é uma zona piscatória que necessita de um impulso para revitalizar a sua economia e qualidade de vida, optou-se por neste local elaborar um programa e respetivo projeto de um modo silencioso e que se coadune tanto com a aldeia, como com os pescadores, visitantes e turistas. 

Em consequência da abordagem feita ao território e sentindo as suas potencialidades e debilidades, surgiu a ideia de criar o Edifício Mix de um modo racional e organizado, sendo que a sua forma e organização são resultado das pré- existências, os percursos pé posto, esses, que vincadamente marcam o local e as suas gentes, ou não fossem os próprios a criá-los em resultado das suas necessidades, visto que a diversidade da topografia aqui existente era encarada como obstáculo, mas que na verdade é uma fronteira, é um filtro de modos de vivência. Assim podem-se definir os ditos percursos pé posto como elementos geradores de razão, havendo agora lugar a uma simbiose entre estes e os novos acessos, que de um modo racional vão proporcionando programa, acabando por ser tão ou mais importantes que o programa em si, pode-se até afirmar que estes são o programa, e que o que sobra acabam por ser os espaços antes definidos como programa.

No que concerne à sua conceção formal relativamente às Casas D’Água, é de salientar que estas foram concebidas com base na orografia e na topografia do local e envolvente, assim estas são o reflexo imediato disso mesmo. São habitações de tipologia T0 que lidas como um só refletem o elogio ao mar, a horizontalidade, enquanto que em planta refazem e perfazem a costa, criando um fio condutor entre a envolvente, não sendo uma quebra, mas sim uma continuidade.

No que diz respeito ao Edifício Mix, este elogia o mar pela sua horizontalidade e pela sua transparência, resultado do atravessamento de percursos que ditam assim o programa e a sua forma. É um edifício que se interpreta como um só, mas que na realidade é uma soma de restos de espaços deixados pelos percursos. A separação física que se denota no edifício é provocada pelo percurso principal, rasgando-o assim, do mesmo modo que rasgou a topografia.

Reportando agora ao miradouro e ao programa a ele associado, o museu, é de salientar que esta construção é a exceção ao silêncio arquitetónico no local, e está a uma cota superior da do Edifício Mix e do restante programa, para que se sinta como sendo uma antítese ao que é suposto observar quando se sobe uma encosta, que é a tentativa de alcançar uma vista desafogada e livre. Está de um modo claro cosido ao percurso, sendo o ponto de encontro de percursos e utilizações distintas. A sua forma tem como inspiração os remoinhos, quer de vento quer de água, que aqui se fazem sentir com alguma frequência, ou não fosse esta uma zona costeira do litoral norte.

Entrando agora no campo da distribuição programática, deve-se de um modo sucinto referir que as Casas D’Água, sendo de tipologia T0 são tal como a tipologia define, um espaço permeável, e que assim sendo consiste numa zona de utilização mista, sendo esta a zona de estar e de dormir e que tem uma ligação direta e aberta com a zona de cozinha.

O Edifício Mix, que funciona como uma barra, vive de dentro para fora, ou seja a distribuição programática apresenta-se como uma sucessão de todo o programa proposto, passando, entre outros pela marisqueira, lojas, lojas de peixe, bar/quiosque e esplanadas.

No concerne ao museu, este é composto por um espaço amplo dividido por duas paredes que funcionam como elemento de ação poética e que ajudam assim a definir dois tipos de espaço, sendo que o seu complemento é o miradouro que consiste numa torre, sendo o seu acesso vertical feito pelo exterior da mesma, dando assim diversos pontos de observação possíveis ao longo da sua subida culminando num espaço de contemplação e de elogio ao mar, em que é possível observar todo o oceano assim como toda a envolvente próxima.